Impressão 3D na medicina: como ajudou médicos a salvarem a vida de um bebê

Tempo de leitura: 6 minutos

O uso da impressão 3D na medicina tem gerado certa empolgação nos especialistas do mundo todo. A cada dia surgem novos exemplos de como esta tecnologia está se tornando uma poderosa aliada dos médicos em procedimentos complexos, além de oferecer diferentes perspectivas e abordagens para inúmeros tratamentos.

No post de hoje, você ficará por dentro de como a impressão 3D ajudou a salvar a vida de um bebê de apenas nove meses, na China. Sem rápida intervenção médica ele teria 80% de probabilidade de não vir a completar o primeiro ano de vida, mas uma cirurgia bem-sucedida mudou radicalmente o cenário. Entenda o papel desempenhado pela impressão 3D nessa história!

Uma operação às cegas

DATVP
A condição é muito rara, constituindo cerca de 1% de todas as crianças que nascem com defeitos cardíacos congênitos.

Apesar de ter nascido com bom peso, o garotinho apresentou uma rara anomalia cardíaca chamada Drenagem Anômala Total de Veias Pulmonares (DATVP),  que envolvia o mau posicionamento de veias pulmonares. Nestes casos, a capacidade respiratória da criança é bastante afetada, diminuindo drasticamente as chances de sobrevivência.

A questão é que a cirurgia para corrigir o problema é extremamente delicada, e nem mesmo os mais modernos exames de imagens poderiam preparar os médicos para as dificuldades que eles enfrentariam.

A equipe teria que abrir o coração do bebê e decidir o que fazer na hora, à medida que visualizasse as conexões defeituosas das veias pulmonares. Na prática, seria uma improvisação, sem que os cirurgiões pudessem se preparar adequadamente e com antecedência para lidar com o procedimento. E é aqui que entra a contribuição da impressão 3D na medicina!

 

Com o coração nas mãos

A solução encontrada nesse caso de 2013 foi imprimir um modelo 3D completo do coração do bebê, em tamanho real, e utilizá-lo como um “mapa” em profundidade, para que os médicos pudessem estudar cada aspecto do órgão, planejando, cuidadosamente, todos os passos da cirurgia.

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Dr. Paul Wang, com um exemplo de coração impresso em 3D.

A réplica permitiu que os cirurgiões soubessem precisamente como, onde e com quê profundidade as incisões deveriam ser feitas. O modelo não apenas ajudou os médicos a se anteciparem, como também diminuiu o tempo necessário para a operação — o que é fundamental para controlar os riscos, ainda mais por se tratar de alguém tão frágil!

O resultado? A criança chinesa ficou bem e os responsáveis pela cirurgia esperam que ela sobreviva com pouco, ou mesmo nenhum, efeito colateral causado pela má formação cardíaca.

Como se vê, o grande trunfo da técnica de replicar órgãos em modelos 3D é oferecer aos médicos a oportunidade de compreender o que está errado, planejar e escolher a melhor abordagem para o procedimento cirúrgico — tudo isso antes que o paciente seja encaminhado à mesa de operações. Casos como este têm se tornado cada vez mais comuns, aumentando a confiança da comunidade médica no potencial desta tecnologia.

Recentemente, em Nova Iorque, um bebê com menos de 15 dias de vida também foi salvo depois que a equipe responsável imprimiu um modelo do coração da criança. A menina sofria de uma doença congênita e, internamente, o órgão assemelhava-se a um labirinto. Com a réplica em mãos os médicos puderam estudar minuciosamente a anatomia do coração defeituoso, sem ter de cortá-lo antes para decidir o que fazer. Ponto para a medicina e para a impressão 3D!

As aplicações desta inovação, no entanto, vão muito além da produção de réplicas de órgãos em tamanho real. Conheça outras áreas da medicina em que a impressão 3D também está sendo utilizada com êxito:

Impressão 3D na medicina: o futuro é agora

Próteses de baixo custo

Muitas pessoas simplesmente não possuem recursos suficientes para arcar com os custos de uma prótese tradicional. Por outro lado, modelos baratos e customizáveis, feitos a partir de impressoras 3D, já estão sendo utilizados em países como Uganda, por exemplo, graças ao esforço de pesquisadores da Universidade de Toronto, no Canadá.

A Wishbox já produziu próteses em 3D, como foi o caso para Fábio, que perdeu parte de sua mão em um acidente na infância. A prótese permite que Fábio pratique esportes, faça tarefas do dia-a-dia e segundo ele é praticamente imperceptível em suas atividades. Segundo ele a maior diferença mesmo é uma nova perspectiva sobre a situação, melhorando muito o seu emocional e como ele vê sua situação.

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A Wishbox também tem história com as próteses 3D.

Do mesmo modo, cientistas do “Not Impossible Labs”, entidade sem fins lucrativos baseada na Califórnia, têm ajudado vítimas de guerra no Sudão, fazendo com que centenas de amputados encontrem chance de reabilitação por meio de uma prótese.

Equipamento médico utilizado durante o parto

Em algumas nações, mesmo os instrumentos médicos mais básicos representam gastos com os quais o governo não pode arcar. No Haiti, a impressão 3D na medicina está ajudando na obtenção de uma série de equipamentos de baixo custo para suprir o estoque de hospitais e postos de saúde locais, como braçadeiras utilizadas no parto para prender e cortar o cordão umbilical do bebê.

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As peças são impressas de forma rápida e atendem a necessidade conforme surge, otimizando o uso de recursos.

Reposição de partes do crânio

Na Universidade Medical Center, em Utrecht, na Holanda, cirurgiões conseguiram substituir uma vasta porção do crânio de uma jovem de 22 anos, depois de imprimir um modelo em 3D feito de plástico. A prótese replicou, com exatidão, toda a parte danificada. A jovem possuía uma rara condição onde o osso do crânio aumentava sua espessura com o tempo, sem a impressão 3D, sua vida corria sérios riscos.

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Crânio reconstruído em 3D, a peça replicou fielmente o da jovem.

Células do fígado para testar a ação de medicamentos

A empresa norte-americana Organovo já produz e comercializa células reais do fígado, feitas com base em impressão 3D. Elas podem sobreviver por 40 dias e são utilizadas pela indústria farmacêutica em testes de novos medicamentos. Dentro de uma década, a expectativa da Organovo é produzir órgãos inteiros, como rins, fígado e coração, podendo diminuir drasticamente a espera de pacientes que precisam de um transplante.

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Células Bio-impressas.

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